"A dificuldade em se conceituar notícia foi vista por Sigal (in Vizuete e Marcet, 2003, p. 55), quando observou:
“Ninguém sabe o que são [as notícias]. O outro problema é que ninguém sabe o que significam”. Os autores
sinalizam que, desse fato, deriva a “ausência de um critério compartilhado universalmente para distinguir o
que as notícias são do que elas não são”. A determinação desse objeto de estudo é a preocupação de Alsina (1989, p.27), quando reconhece que “a notícia, em concreto, é uma realidade complexa, diversa e mutante”
e até mais: “uma realidade poliédrica, de que só conhecemos algumas das faces”.
“As notícias são o que os jornalistas definem como tais. Essa tese raramente é explicitada, visto que parte
do modus operandi dos jornalistas é que os eventos ocorrem ‘fora’, e os primeiros limitam-se, simplesmente,
a relatá-los.” A assunção de Altheide (in Wolf, p.196) advém realmente da largueza da definição de notícia.
Os profissionais do jornalismo comportam-se como se não fossem parte do aparato de busca, seleção e
registro dos fatos; ao contrário, entendem-se e fazem questão de ser reconhecidos como instrumento
objetivo e imparcial da coleta dos acontecimentos, cujo fruto seria o relato produzido.
As notícias podem ser classificadas sob vários aspectos – por sua forma de apresentação, pelo conteúdo,
pela estrutura – e segundo distintos ângulos de observação, como, por exemplo, a notícia em cada um dos
meios de comunicação (rádio, jornal, revista, TV, internet). Elas podem ser objeto de consumo (mídia para
as agências de publicidade, matéria paga nos veículos ou resultado de transações comerciais entre
empresas); unidade discursiva (na literatura, retórica, ou lingüística); ou forma de transmissão cultural (na
sociologia). No jornalismo, a notícia, além de aparecer como sinônimo de comunicação, informação, ainda é
um gênero, por contraposição a outros (reportagem, artigo, coluna), e uma unidade básica de produção,
que engloba um determinado modus faciendi, obedece a regras e oferece um certo resultado: o relato
publicado.
Os conceitos correntes costumam definir a notícia sob três pontos de vista: interesse, atualidade e verdade.
Pertencem ao primeiro grupo, dando ênfase à recepção, ou seja, ao público consumidor: (1) “Notícia é tudo
o que o público necessita saber, tudo o que público deseja falar” (Revista Collier’s Weekly, in Amaral, 1982,
p.39); (2) “É uma compilação de fatos e eventos de interesse ou importância para os leitores do jornal que a
publica” (Neil MacNeil in Amaral, 1982, p.60); (3) “Uma informação corrente posta ao alcance do público”
(Charnley, in Vizuete e Marcet, p.55); (4) “Um fato ou uma idéia que interessa a grande número de leitores
(Spencer, idem).
Sob o signo da novidade ou da atualidade, a notícia também engloba, de um lado, a questão da verdade; de
outro, divorcia-se da opinião."
[MENDONÇA, Thaís. A notícia e os valores da notícia. O papel do jornalista e dos filtros ideológicos no dia-a-dia da imprensa. UNIrevista - vol. 1, nº3 - Julho 2006]
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