A notícia de que o Piuaí é o quarto maior exportador de mel do Brasil parece um bálsamo em meio à preocupante tormenta que assola nosso noticiário econômico nos últimos tempos. Seguidamente, nossas manchetes estampam quedas repetidas no FPM e FPE, o que assusta quando temos que convir que boa parte da economia piauiense ainda anda a reboque da máquina estatal. Embora essa boa notícia seja música para os ouvidos e olhos impregnados pela crise econômica mudial que resvala nos grandes e pequenos, ricos e pobres, é preciso ponderar que o desempenho na exportação do mel não é assim tão bom assim. No ano passado, o Piauí era o segundo maior exportador de mel do Brasil.
Tudo bem que somente em março a União Européia, que é o principal consumidor do nosso mel, suspendeu um embargo imposto em 2004. Mesmo assim, temos um bom caminho a percorrer até retomar a expressividade que nossa apicultura merece. Afinal, a média nacional de produção é de 16 quilos por colmeia ao ano, um desempenho fraco se comparado às nossas colméias, que chegam a produzir 30 quilos por ano, conforme matéria da repórter Mayara Bastos, publicada nesta edição, na editoria de política. E é esse mesmo o tratamento que precisamos dar a notícias como essa, a de cunho político, uma vez que precisamos superar a escravidão da nossa economia aos fundos e repasses federais. Nos municípios piauienses existem mais de 100 associações de apicultores e pelo menos 20 cooperativas isoladas, mas esse número poderia ser bem maior. Por que não explorar a força de um negócio não só ecologicamente autosustentável, mas que, pelas especificidades do nosso clima e flora, nos torna referência no Brasil e no mundo? Além da apicultura, a castanha de caju é um produto que tem possibilidade de crescimento muito grande na nossa balança exportadora, mas é preciso que aprendamos a deixar de exportar produtos sem nenhum valor agregado, produtos basicamente em natura.
O Piauí tem mentes brilhantes o suficiente para agregar valor a qualquer produto e enviar às prateleiras dos supermercados de países ricos um produto acabado. Assim, reduzindo a cadeia de atravessadores, sobrariam mais recursos para nossa agroindústria. Não se combate crises com lamentações e choramingos, a saída é e sempre foi a criatividade, a supe-ração. Então, nada melhor do que adoçar nossas páginas, nossos olhos e mentes com as alvissareiras notícias do mel. |
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